Debrief.
Conference series Zak World of Façades Editions, speakers and registration
Follow

Published in the language of the original session. The English translation is provided for reference and may not be fully accurate, please verify technical terms against the source.

Nuno Barbedo mostrou o que é uma envolvente estrutural de vidro, uma fachada que é, ao mesmo tempo, pele e estrutura, através do coroamento ultra-transparente e à prova de tufões de The Henderson, em Hong Kong, da caixa de vidro autoportante da Apple de Milão e do cilindro de 41 metros do Steve Jobs Theater. E terminou na parte mais difícil: o que fazer quando estas estruturas chegam ao fim de vida.

Barbedo apresentou a Eckersley O’Callaghan (EOC), empresa de engenheiros de estruturas e fachadas com escritórios de Los Angeles a Sydney, onze no total, com projetos em 56 países, cujo trabalho vai de pontes (incluindo uma piscina que parece uma ponte, a vencer o vão entre dois edifícios) a estruturas especiais e fachadas à medida, em materiais que vão da madeira, pedra, betão, aço e alumínio a especialidades como o vidro, o acrílico e a fibra de carbono. O tema do dia eram as envolventes estruturais de vidro.

The Henderson em construção
The Henderson, Hong Kong. A montagem do coroamento de vidro no topo de uma torre de 200 metros, feita, à maneira local, com andaimes em bambu.

Definiu-as: estruturas que cumprem uma função de fachada, com todas as suas exigências de desempenho térmico, solar, acústico, geometria, panelização, fabrico e sustentabilidade, mas com maior peso estrutural, porque são normalmente complexas, com sistemas de apoio complexos, grandes vãos e um material de revestimento, o vidro, sensível às deformações. Exigem, como qualquer fachada, sensibilidade estética e coordenação constante com os arquitetos.

Interior do coroamento de The Henderson
Ultra-transparente, à prova de tufões. O espaço de eventos no topo de The Henderson: vidro curvo de 8 metros, laminado com seis lâminas, para cargas de 7 a 8 kPa.

O primeiro caso foi The Henderson, em Hong Kong, uma torre de 200 metros de Zaha Hadid Architects, onde a EOC assegurou as pontes de entrada, esculturas e vidro curvo, e sobretudo o coroamento: uma envolvente de vidro ultra-transparente para um espaço de eventos de pé-direito duplo, no topo. O desafio era o vento, tufões, com cargas de 7 a 8 kPa. A solução foi uma estrutura de aço de grandes vãos (pórticos de 25 a 30 metros) com vigas de travamento a apoiar o vidro de fachada e de cobertura. O vidro de fachada, todo curvo, sem montantes, apoiado apenas em cima e em baixo, tem 8 metros de altura e é laminado com seis lâminas de 12 mm; a cobertura é vidro isolante duplo laminado, apoiado nos quatro lados e ainda por vigas secundárias em vidro, para não perder transparência. Racionalizar a geometria livre para formas cilíndricas permitiu usar vidro termoendurecido, melhor estruturalmente e mais barato, e a montagem fez-se, à maneira de Hong Kong, com 200 metros de andaimes em bambu.

O segundo foi a Apple de Milão, na Piazza Liberty, de Foster + Partners: a entrada da loja, subterrânea, é uma caixa de vidro autoportante de 12 por 8 por 2,5 metros, ladeada por fontes que projetam jatos de água contra o vidro. O conceito começou com pórticos metálicos, passou a pórticos de vidro e acabou por dispensar tudo, deixando apenas o invólucro de vidro como fachada puramente estrutural. A estrutura não desapareceu, está escondida: silicone estrutural cola painéis de até 8 por 3 metros, ancorados na base por pinças de inox de 30 mm e parafusos; só se veem o vidro e o silicone. O vidro da entrada, um único painel recortado em U, uma zona de altas tensões, era essencial para a estabilidade da caixa, e transformou uma praça pouco atraente num ponto de encontro junto ao Duomo.

Interior em cúpula do Steve Jobs Theater
Steve Jobs Theater, Cupertino. Um cilindro de vidro de 41 metros de diâmetro que sustenta uma cobertura em fibra de carbono, dentro do qual cabem todas as outras lojas Apple.

O terceiro levou o vidro estrutural ao limite: um cilindro de vidro de 41 metros de diâmetro, dentro do qual cabem todas as outras lojas Apple, que suporta diretamente uma cobertura em fibra de carbono, erguida como um disco, sem qualquer pilar, de modo a que a cobertura parece flutuar.

Detalhe de ligação em vidro estrutural
Apple Piazza Liberty, Milão. Uma caixa de vidro autoportante que reordena a praça junto ao Duomo.

Mas Barbedo fechou com uma realidade menos exuberante: muitas destas estruturas começam a chegar ao fim de vida. No Museu Marítimo Nacional, em Londres, uma cobertura envidraçada de 50 por 50 metros sobre edifícios históricos sobreaquecia, vidro com mais de 30 anos, que perdera desempenho, agravado pelas alterações climáticas. Sem informação de arquivo sobre a capacidade da estrutura de aço, a EOC avaliou-a em obra, medições, ensaios laboratoriais ao aço, recolha de amostras, testes de continuidade e inspeções com endoscópio para detetar corrosão escondida, antes de decidir o vidro novo: um vidro isolante com serigrafia densa (cerca de 70%) e capa de alto desempenho, pisável para manutenção. E o vidro antigo não foi para aterro: foi analisado e reciclado, parte reintegrada nas linhas de float, parte noutros produtos de vidro, num eco direto do que a Saint-Gobain defendera nessa mesma manhã. A estrutura foi monitorizada durante toda a substituição, com as deformações validadas contra os modelos.

Synthesis based on the presentation by Nuno Barbedo (Eckersley O’Callaghan) at Zak World of Façades Lisbon, 18 June 2026. Watch the full recording via the link above.