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João Telmo Gabriel apresentou, em estreia para Portugal e Espanha, a Pladur EXO, uma fachada leve construída em placa de gesso laminado que substitui a parede de tijolo tradicional. A troca do pesado pelo leve baixa a fachada de 300-400 para cerca de 70 kg/m², corta o carbono no transporte e no fabrico, e traz resistência ao fogo EI 120 certificada, com mais de sete milhões de metros quadrados já instalados na Europa.
Gabriel abriu com o produto e a marca: a Pladur, fabricante espanhol com quase 50 anos, é tão conhecida que o seu nome quase se confunde com a própria placa de gesso laminado, mas sempre esteve associada a revestimentos e sistemas construtivos para o interior. A novidade, apresentada ali em estreia, é a Pladur EXO: uma solução de fachada leve inteiramente construída em placa de gesso laminado, que parte da construção tradicional pesada para uma envolvente leve e sustentável.
O ponto de partida é o peso. As soluções tradicionais de fachada pesavam cerca de 300 a 400 kg/m²; a Pladur EXO pesa cerca de 70. Menos peso significa menos material a transportar em camião, e, portanto, menos emissões, mas o ganho começa mais atrás, no fabrico: enquanto secar o tijolo exige fornos a 1000 °C, a secagem das placas usa processos muito menos intensivos, com cerca de 25% da energia de origem solar. O sistema é ainda infinitamente reciclável, e a produção em Espanha, perto de Portugal, reduz a pegada de transporte.
Sobre o peso, empilham-se as prestações. Pelo princípio massa-mola-massa, elementos rígidos e lãs minerais flexíveis no interior, a solução atinge um isolamento acústico de 54,8 dBA com menor espessura, uma transmitância térmica de U = 0,116 W/m²K e uma pegada de carbono de 23,14 kg CO2 eq/m² (A1–A3). E, como a Pladur fabrica não só a placa mas todos os elementos do sistema, este foi ensaiado ao fogo e certificado até EI 120, 120 minutos, com a placa Weather Defense incombustível A1, e validado por um Technical Conformity emitido pela Tecnalia. Foi um passo obrigatório: a norma espanhola só previa o gesso no interior, pelo que colocar uma placa de gesso no exterior exigiu ensaiar e homologar todo o sistema.
Há também um argumento de obra. Num período de escassez de mão de obra, o mesmo instalador que executa as divisórias interiores em gesso pode montar a fachada, que não é, no fundo, mais do que uma parede introduzida no plano da fachada, com montagem mais rápida e menos desperdício, já que os perfis são cortados à medida. Os montantes são perfis estruturais de aço de 1 ou 2 mm e 75 a 100 mm de largura, dimensionados em função da altura do edifício e das ações do vento (a solução está ensaiada até cerca de 2 kN/m²), com galvanização reforçada Z5 nas zonas costeiras.
O detalhe construtivo tem particularidades. As placas são instaladas na horizontal e encostadas umas às outras, sem tratamento de juntas com massa: apenas uma fita autoadesiva resistente aos UV assegura a estanquidade ao ar e à humidade, e, uma vez instalada, a fachada pode ficar exposta à chuva e ao sol até 12 meses sem problema. A Pladur diz ser hoje o único fabricante a oferecer uma solução de «placa passante», que corre à frente da testa da laje, certificada, o que dá uma superfície perfeitamente plana para receber um sistema ETICS e elimina a ponte térmica junto à laje.
A solução pode ser simples, só com o perfil, ou composta, acrescentando um revestimento interior para passar instalações elétricas ou tubagens sem perfurar a face exterior, e admite acabamento em ETICS ou fachada ventilada. Não é, sublinhou Gabriel, um produto novo por ensaiar: está instalada em toda a Europa há mais de dez anos, com mais de sete milhões de metros quadrados em obra no Reino Unido, em França e na Bélgica, chegando agora a Portugal e a Espanha como substituição direta do tijolo na parede de fachada, onde, como lembrou, se concentra cerca de um quarto dos materiais de uma obra.