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Published in the language of the original session. The English translation is provided for reference and may not be fully accurate, please verify technical terms against the source.

Saulo Suassuna Filho argumenta que arquitetura branded só cria valor duradouro quando a identidade está incorporada em forma, material, fabricação e desempenho, usando projetos da Pininfarina no Brasil e no exterior para mostrar como design reconhecível pode variar por edifício, mercado e cidade.

Cyrela by Pininfarina. A fachada residencial usa proporção, bordas de varanda e detalhes repetidos para construir identidade sem separar branding, uso e desempenho.

Saulo Suassuna Filho resume a abordagem da Pininfarina numa equação simples: performance mais elegância produz estilo. A ideia vem de uma prática fundada em 1930 em Turim e desenvolvida em transporte, arquitetura, interiores, produto, indústria e design digital. Para Suassuna, a utilidade dessa diversidade está na transferência de conhecimento entre disciplinas. Aerodinâmica, compósitos, detalhe, fabricação e experiência de uso podem migrar de um automóvel para uma fachada sem que a arquitetura se transforme literalmente em um carro. O objetivo é construir uma identidade reconhecível por proporção, material, movimento e detalhe. Uma marca aplicada ao edifício só cria valor duradouro quando a linguagem permanece compreensível depois que logotipos, vídeos e campanhas deixam de acompanhar o projeto.

Performance antes da assinatura

O Yacht House, em Balneário Camboriú, é usado para explicar essa relação entre imagem e engenharia. Suassuna o descreveu com 281 m e mais de 80 pavimentos. A altura exige considerar vento, fundações, materiais e a relação entre torre e embasamento. Em cidades costeiras com lençol freático alto, estacionamentos acima do solo podem criar uma base pesada e desconectada da rua. A estratégia procura dissolver esse volume por meio de paisagismo, curvas e elementos de fachada, tratando o embasamento como parte da experiência do edifício. Componentes compósitos aparecem como uma maneira de combinar leveza, resistência, precisão e acabamento quando formas especiais seriam difíceis de executar com sistemas convencionais.

Identidade arquitetônica Pininfarina. O projeto mostra como uma linguagem de design reconhecível pode migrar da escala do produto para a envoltória do edifício.

A lógica de performance também aparece fora da torre. No Urban Lounge de Milão, parâmetros de umidade, vento e calor foram combinados com sensores e sistemas modulares. Suassuna relaciona esse tipo de experimentação ao modo como peças são numeradas, fabricadas e montadas, aproximando design de produto e construção. A forma final não é suficiente. O sistema precisa prever montagem, manutenção e repetibilidade. Essa disciplina de fabricação é o que permite que gestos curvos ou superfícies pouco usuais deixem de ser apenas uma imagem e se tornem elementos controláveis no canteiro.

Diagonal Tower. A torre mostra como silhueta forte e ritmo de fachada podem carregar identidade na escala do horizonte urbano.

Branding que continua sem o logotipo

O Concourse Club, em Miami, mostra outro aspecto da identidade. Localizado junto a um autódromo, o edifício trabalha com balanços, membranas e linhas associadas a velocidade e movimento sem reproduzir literalmente uma linguagem automobilística. Suassuna usa o caso para fazer uma crítica ao crescimento de edifícios “branded”. Se a marca entra apenas como selo comercial, o edifício corre o risco de envelhecer quando o valor promocional diminui. A identidade precisa aparecer na forma, na chegada, na fachada e na experiência cotidiana. Até a garagem pode fazer parte desse percurso, como ocorreu no Cyrela by Pininfarina, onde a entrega do edifício destacou um espaço normalmente tratado como residual.

O Cyrela by Pininfarina foi o primeiro caso branded da empresa no Brasil. Os apartamentos têm cerca de 45 m² e são quatro unidades por pavimento, segundo Suassuna. A geometria das varandas gera a forma da torre, cria privacidade entre unidades e dá presença a um edifício que não depende de grande altura ou de uma laje extensa para ser reconhecido. A assinatura não está numa única curva, mas numa família de decisões que se repete em novos projetos sem produzir cópias. Suassuna afirmou que a Pininfarina já tinha 35 projetos distribuídos pelas cinco regiões do Brasil, procurando manter exclusividade e coerência com diferentes incorporadores e mercados.

Projeto Savassi. Profundidade da envoltória, terraços e elementos horizontais repetidos mostram o branding arquitetônico por componentes habitáveis da fachada.

Uma identidade que muda de cidade

No Diagonal Tower, em Fortaleza, a escala é outra: 53 pavimentos, 170 m de altura, um apartamento de 425 m² por andar e cinco pavimentos de estacionamento acima do solo. O embasamento usa biofilia, curvas e um espaço de chegada com pé-direito quádruplo para reduzir o peso visual da garagem. Lajes protendidas permitem vãos de até 15 m em áreas de estar, aproximando interior e varanda. Suassuna destaca também a fachada posterior, argumentando que a identidade precisa permanecer em todos os lados e não apenas no plano voltado para o mar. Em Belo Horizonte, Goiânia e outras cidades, venezianas, pórticos, iluminação e varandas assumem composições diferentes, mas preservam uma lógica reconhecível. O branding arquitetônico se sustenta quando forma, desempenho e fabricação pertencem à mesma história.

Colaboração Plaenge. Outro exemplo residencial mostra a linguagem de design se adaptando a cliente e contexto diferentes, em vez de repetir uma fórmula visual fixa.