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Published in the language of the original session. The English translation is provided for reference and may not be fully accurate, please verify technical terms against the source.

Douglas Tolaine mostra como o projeto de fachadas nasce de decisões coletivas sobre estrutura, legislação, clima, programa e experiência urbana, usando casos de São Paulo para demonstrar como sombreamento, materiais, dados e térreo podem transformar condicionantes em valor arquitetônico e comercial.

Borda de fachada em camadas. Varandas, telas e vidro recuado mostram como a envoltória pode combinar controle ambiental e identidade arquitetônica.

Douglas Tolaine vê a fachada como resultado de um processo coletivo, não como uma camada resolvida depois da arquitetura. Estrutura, legislação, proteção contra incêndio, instalações, consultoria, fabricação e uso transformam a ideia inicial ao longo do desenvolvimento. Essa abordagem é reforçada pela diversidade de escalas e programas com que o escritório trabalha, de pequenos edifícios a complexos corporativos, residenciais, educação e saúde. A Perkins+Will reúne 34 estúdios e aproximadamente 2.700 profissionais, segundo Tolaine, e usa essa rede para antecipar problemas e compartilhar conhecimento entre regiões. No estúdio de São Paulo, essa troca é organizada por uma metodologia chamada Living Design, baseada em sete princípios que ligam clareza conceitual, tecnologia, bem-estar, sustentabilidade, inclusão, pesquisa e beleza.

Transformar vista em patrimônio

Num edifício corporativo da Avenida Rebouças, em São Paulo, o ponto de partida foi uma condição urbana simples: à frente do terreno existe a baixa massa construída dos Jardins, criando uma vista ampla que poderia se tornar parte do valor do empreendimento. Em vez de distribuir a área em pavimentos convencionais, a equipe propôs lajes com pé-direito duplo e mezaninos acessíveis. A solução alterou a proporção da torre e criou flexibilidade futura. Tolaine explicou que mudanças na legislação elevaram o potencial construtivo de quatro vezes para 4.8 e que o vazio desses espaços permitiu ao proprietário manter quase 1.000 m² adicionais de potencial construtivo para uma decisão posterior.

Torre orientada pelo contexto. Uma torre residencial esbelta usa profundidade, varandas e elementos verticais para responder ao programa, à orientação e ao contexto urbano.

Nas fachadas laterais, voltadas para nascente e poente, o controle solar precisava coexistir com a transparência. A própria compartimentação contra incêndio se tornou parte da estratégia de fachada. Em São Paulo, Tolaine citou a exigência de 1,20 m, aproveitada para criar uma camada que ajuda a sombrear o vidro. Brises metálicos perfurados, tensionados entre laje e viga, foram estudados para manter transparência visual. Quando a primeira proposta exigia elementos em excesso, as lâminas foram inclinadas em ângulos diferentes. Isso preservou a abertura, reduziu quantidade e custo e tornou a fachada mais dinâmica. O edifício, segundo Tolaine, foi totalmente locado em dois meses, contrariando dúvidas iniciais sobre os pés-direitos duplos.

Fachada como valor. A frente do edifício é articulada como uma sequência de bordas ocupadas, reforçando a relação entre desempenho e experiência do usuário.

O térreo também é fachada

Para Tolaine, desempenho não termina no plano envidraçado. A relação com a rua também precisa ser desenhada. No mesmo edifício, os brises da fachada continuam no forro e ajudam a construir uma linguagem que aproxima exterior e interior. Transparência, segurança e escala do lobby são tratadas para evitar que o térreo funcione como uma barreira. Essa preocupação aparece em outros projetos corporativos. Um terreno de 890 m² foi transformado num edifício boutique concebido durante a pandemia sob a ideia de “office home”, combinando biofilia, curvas, vegetação e usos ativos integrados ao lobby. Em outro caso, uma segunda pele diante do vidro cria sombreamento e variação visual sem abandonar a eficiência energética.

Material, dados e desempenho

A mesma lógica muda de material conforme o problema. Num projeto residencial, bambu autoclavado foi usado como forro, corrimão e brise, comparando-se seu impacto com o alumínio para reduzir carbono incorporado. Tolaine afirmou que o empreendimento teve valorização superior a 70% no preço de venda, relacionando esse resultado à percepção de valor criada pelo projeto. Em edifícios de uso misto, ele organiza a fachada como camadas com funções diferentes: brise, jardineira, guarda-corpo e caixilho. Num edifício de educação de 7.000 m² construído em sete meses, industrialização e colaboração entre projetistas, fornecedores e obra foram condições para o prazo.

Envoltória de uso misto. Um empreendimento maior usa vegetação, recuos e módulos repetidos para conectar escala da rua, ocupação e resposta ambiental.

Essa variedade não significa abandonar método. Tolaine defende mais uso de dados para tomar decisões e descreve ferramentas próprias que combinam Rhino, BIM, simulação e machine learning para estudar insolação, aberturas e consumo. Um arranha-céu residencial de 180 m em Goiânia e uma torre de 19.000 m² vendida em 48 horas são usados para ilustrar como inovação pode gerar valor quando responde ao contexto. O ponto comum é que a fachada nunca é uma resposta isolada. Ela deriva de estrutura, legislação, orientação, programa, materiais, experiência urbana e capacidade de execução. O projeto ganha consistência quando essas condicionantes deixam de competir entre si e passam a formar uma mesma estratégia.

Expressão em altura. Torres demonstram como repetição e sombreamento podem criar identidade coerente mantendo profundidade e perímetro utilizável.