Debrief.
Conference series Zak World of Façades Editions, speakers and registration
Follow

Published in the language of the original session. The English translation is provided for reference and may not be fully accurate, please verify technical terms against the source.

Sergio Domingos, da Aluman, defendeu que as fachadas passaram, em pouco mais de duas décadas, de simples elementos de proteção a sistemas tecnológicos altamente complexos, e que a única resposta viável da indústria é a industrialização: engenharia detalhada, BIM, produção unitizada e automatizada, controlo de qualidade e rastreabilidade. O seu exemplo foi o Entrecampos, em Lisboa, e uma visão em cinco pontos sobre o rumo do setor.

Empreendimento Entrecampos, Lisboa
Entrecampos, Lisboa. O projeto de referência da Aluman, uma nova geração de projeto onde ambição, escala, desempenho e sustentabilidade convergem em simultâneo.

Domingos, country manager da Aluman no Reino Unido, abriu por redefinir a fachada: já não a mera pele de proteção de um edifício, mas um sistema altamente tecnológico que influencia a eficiência energética, a sustentabilidade, o conforto dos utilizadores e a própria identidade arquitetónica das cidades, e, à medida que os edifícios se tornam mais ambiciosos, a indústria teve de evoluir com eles. Quase vinte anos entre engenharia, planeamento, procurement, gestão de projeto e execução ensinaram-lhe que o sucesso de um projeto depende menos de um bom desenho ou de um bom produto do que da capacidade de coordenar pessoas, processos, materiais e informação.

Mapa de operações globais da Aluman
A escala é que conta. Não apenas onde um grupo opera, mas quantos projetos gere em simultâneo, em mercados e tipologias diferentes.

Traçou a mudança. Há duas décadas, as fachadas eram relativamente simples, com menores exigências energéticas e requisitos de desempenho limitados; hoje têm geometrias sofisticadas, requisitos térmicos, acústicos, de corta-fogo e de segurança muito mais rigorosos, integração digital e uma pressão crescente sobre a sustentabilidade. A indústria não está apenas a construir fachadas mais bonitas, disse, mas mais eficientes, e significativamente mais complexas.

Controlo de produção automatizada
Industrialização. O que não se resolve em projeto não se resolve em obra, engenharia detalhada, produção automatizada e rastreabilidade.

A resposta a essa complexidade é a industrialização. Já não é possível resolver em obra aquilo que não foi resolvido em projeto: a engenharia é detalhada, o BIM é cada vez mais exigido, os sistemas são unitizados, a produção é automatizada e o controlo de qualidade, na fábrica e em obra, é fundamental, com a rastreabilidade dos materiais, do recebimento à instalação, hoje exigida na maioria dos projetos. Tudo isto reduz o risco, aumenta a qualidade e melhora a previsibilidade. A industrialização, defendeu, não é uma escolha, mas uma consequência inevitável da complexidade dos edifícios modernos, de uma legislação mais rigorosa e de especificações cada vez mais restritas de consultores de fachada e clientes.

É também por isso que o verdadeiro valor de um grupo se vê na escala, não apenas onde opera, mas quantos projetos ativos gere em simultâneo, em mercados e tipologias diferentes, e a coordenação, a capacidade industrial e o controlo de execução que isso exige. A sustentabilidade, insistiu, é igualmente mais do que carbono: é também durabilidade, manutenção, eficiência produtiva, ciclo de vida e capacidade de adaptação ao longo do tempo. Uma fachada verdadeiramente sustentável não é apenas a que reduz emissões hoje, mas a que continua a oferecer desempenho e valor durante décadas, o que faz dela uma decisão integrada de engenharia, fabrico e operação.

Fachada de um projeto da Aluman
Complexa, e eficiente. As fachadas de hoje carregam requisitos térmicos, acústicos e de corta-fogo mais exigentes, integração digital e pressão de sustentabilidade.

Todas essas ideias convergiram num projeto: o Entrecampos, em Lisboa. Domingos chamou-lhe uma nova geração de projeto, onde a ambição arquitetónica, a escala, o desempenho, a sustentabilidade, a coordenação multidisciplinar e a elevada complexidade de execução convergem em simultâneo, já não apenas mais uma fachada, mas uma solução integrada que tem de funcionar como parte de um sistema muito maior. Projetos como este exigem integração entre engenharia, fabrico, logística, equipas e mercados, porque o verdadeiro desafio já não é fabricar componentes, mas coordenar toda a cadeia que transforma um conceito arquitetónico em realidade construída. O Entrecampos visa as certificações LEED Gold e WELL Gold, usando um projeto baseado em evidência para reduzir o carbono ao longo do ciclo de vida, melhorar o desempenho térmico, otimizar a luz natural e promover o bem-estar dos ocupantes.

Espaço público do Entrecampos
Feito para as pessoas. A visar LEED Gold e WELL Gold, o Entrecampos usa projeto baseado em evidência para luz natural, conforto e bem-estar.

Olhando para os próximos cinco anos, Domingos via a indústria a consolidar-se em torno de algumas tendências, mais industrialização e pré-fabricação, com sistemas unitizados e o Design for Manufacture and Assembly a tornarem-se prática corrente e menos dependência de atividades críticas em obra; e uma integração digital mais profunda ao longo de todo o ciclo de vida, com o BIM como requisito mínimo, rastreabilidade dos materiais e projeto, fabrico e operação cada vez mais ligados. O fio condutor era constante: à medida que os edifícios se tornam mais complexos, a indústria das fachadas tem de se tornar mais integrada, mais industrial e mais digital.

Synthesis based on the presentation by Sergio Domingos (Aluman Systems UK) at Zak World of Façades Lisbon, 18 June 2026. Watch the full recording via the link above.