Debrief.
Conference series Zak World of Façades Editions, speakers and registration
Follow

Published in the language of the original session. The English translation is provided for reference and may not be fully accurate, please verify technical terms against the source.

Hugo Tavares levou a plateia aos bastidores das fachadas de três dos estádios mais emblemáticos do futebol europeu, o Santiago Bernabéu do Real Madrid, o novo estádio do Everton e o Camp Nou do FC Barcelona, mostrando como se projeta a pele de um estádio: módulos construídos em fábrica, estudos de movimento exaustivos e modelos 3D que resolvem uma geometria diferente em cada alçado.

Exterior do Santiago Bernabéu
O Santiago Bernabéu. O ícone de 83 mil lugares do Real Madrid, reconstruído por trás de uma nova pele metálica, a b-face assegurou o pacote de fachada e revestimentos.

Tavares apresentou a b-face, Building Façade Consultants & Engineering, sediada em Aveiro, uma equipa de cerca de dezoito pessoas com vasta experiência em fachadas, que cobre toda a cadeia de engenharia e desenho, do desenvolvimento de PCSA e do cálculo estrutural aos desenhos 2D e à modelação 3D/BIM, em projetos em Portugal, Espanha, França, Reino Unido e Angola. O tema foram três estádios.

Fachada em aço inox do Bernabéu
Módulos feitos em fábrica. Cerca de 2 500 módulos de cobertura, revestidos em fábrica e colocados em obra, sobre perfis em U de alumínio contínuos com ajuste 3D.

Primeiro, o Santiago Bernabéu, reimaginar um ícone. O estádio de 83 mil lugares do Real Madrid, uma reconstrução estimada em 1,2 mil milhões de euros do construtor FCC Construcción, com arquitetura da GMP, L35 e Ribas & Ribas e engenharia de fachada da Arup, teve a b-face a assegurar o pacote de fachada e revestimentos para o cliente Proinller, que fabricou e instalou metade dos módulos de revestimento metálico da cobertura (norte e este), sendo a outra metade da Martifer. Os módulos de cobertura, cerca de 2 500, com todo o revestimento aplicado em fábrica e o conjunto colocado em obra para reduzir o tempo de montagem, usam perfis em U de alumínio contínuos fixos ao sistema de bandejas da cobertura, com peças ajustáveis nas três dimensões.

Hill Dickinson Stadium ao anoitecer
Hill Dickinson Stadium, do Everton. Revestimentos metálicos a norte e a sul, num recinto novo construído sobre um cais histórico de Liverpool.

No interior, a b-face resolveu as fachadas do Skybar, da UCO e do restaurante, sistemas stick com montantes metálicos de 180 por 60 e vidro laminado 12.12 SentryGlass, com a modelação 3D a ser fundamental tanto para a aprovação como para o fabrico. É um trabalho minucioso, mas num edifício tão exposto é o modelo que permite aprovar a geometria e depois construí-la.

Segundo, o Hill Dickinson Stadium, do Everton, dos estaleiros ao destino. No novo recinto do clube, sobre um cais histórico de Liverpool, a b-face fez a engenharia dos revestimentos metálicos das fachadas norte e sul e do low-level cladding entre pré-fabricados de betão com aspeto de tijolo, num local onde os movimentos dos solos do antigo cais afetam de forma significativa a estrutura da cobertura e as juntas de dilatação, objeto de um movement study detalhado. Um sistema de fachada modular levou a mesma solução a alçados com inclinações diferentes a norte e a sul; o estudo dimensionou um gap de 30 mm para todas as combinações de movimentos, e o warping foi analisado no perfil e no silicone estrutural, com cenários acidentais segundo a EN 1990 (falha do silicone estrutural; rotura de um vidro do laminado).

Hill Dickinson Stadium em construção
Movimento sobre um cais em movimento. Os movimentos do antigo cais obrigaram a um estudo detalhado, um gap de 30 mm dimensionado para todas as combinações.

Os módulos irregulares nas laterais e no topo levaram a um esquadro rotativo capaz de servir a maioria deles, e dois sistemas resolveram o movimento vertical, um módulo hung, restringido dos dois lados, e um módulo flag, restringido apenas de um, com a rigidez da ligação travessa-montante modelada para o manter dentro da tolerância, e pockets deixados nos pré-fabricados para receber os brackets de apoio.

Modelo estrutural da fachada do Camp Nou
Camp Nou, modelado por inteiro. Os «diamond buildings» do perímetro e as fachadas dos camarotes validados em Tekla segundo o Eurocódigo 9, a EN 13830 e a EN 16612.

Terceiro, o Camp Nou, para além da renovação. O estádio remodelado do FC Barcelona, que será o de maior capacidade da Europa, combina no interior fachadas de muro-cortina e tradicionais, a N20, a UEFA Room, uma fachada inclinada e as N50–N60 na zona de camarotes, com um perímetro de grandes «diamond buildings» e estruturas de apoio à volta do recinto, tudo em chapa de alumínio de 3 mm. A b-face modelou cada elemento em Tekla, georreferenciado e compatibilizado com a estrutura base, e validou o alumínio segundo o Eurocódigo 9, a deformação segundo a EN 13830 e o vidro segundo a EN 16612, acrescentando reforços interiores onde uma fachada dentro de uma reentrância, ou inclinada para o exterior, não cumpria de outro modo os limites de resistência e deformação. Nos três, a lição foi a mesma: a pele de um estádio é uma estrutura móvel, irregular e única, e vive ou morre da modelação e do estudo de movimentos feitos antes de se construir seja o que for.

Synthesis based on the presentation by Hugo Tavares (b-face) at Zak World of Façades Lisbon, 18 June 2026. Watch the full recording via the link above.