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Published in the language of the original session. The English translation is provided for reference and may not be fully accurate, please verify technical terms against the source.

Frederico Fontana mostra como a otimização geométrica funciona melhor quando a análise estrutural ainda pode editar o desenho, usando vidro curvo, agrupamento de painéis, deflexão de malhas e fluxos paramétricos para preservar complexidade enquanto fabricação, documentação e desempenho ganham controle.

Modelo computacional da superfície. O modelo digital converte uma envoltória de forma livre em geometria que pode ser analisada, subdividida e comparada quantitativamente.

Frederico Fontana usa a palavra otimização de maneira pragmática. Não se trata de tornar toda forma simples, mas de descobrir onde a complexidade produz valor e onde ela apenas multiplica peças, tensões e custo. Em coberturas de dupla curvatura, brises, varandas ou fachadas tensionadas, a geometria afeta diretamente vidro, estrutura, juntas, ancoragens e sequência de fabricação. O processo começa antes do cálculo final, quando ainda é possível modificar a superfície sem destruir a intenção arquitetônica. Fontana defende um fluxo em que parametrização, análise estrutural e documentação trocam informação continuamente. O objetivo não é encontrar uma forma “perfeita”, mas uma geometria que possa ser controlada, verificada e transferida com menor perda entre conceito e construção.

Quando a curvatura chega ao vidro

Numa cobertura do Hospital Israelita Albert Einstein, a forma original era composta por superfícies curvas que geravam painéis de dupla curvatura. O vidro pode ser deformado a frio, mas esse processo introduz tensões adicionais e, em unidades insuladas e laminadas, também mobiliza interlayers, silicones e espaçadores. A distorção visual cresce à medida que o painel precisa assumir uma forma que não é naturalmente plana. Fontana usa esse exemplo para mostrar que a arquitetura da superfície e o comportamento do vidro não podem ser analisados em etapas separadas. A própria orientação de cada painel afeta sua deformação, tornando a panelização uma variável estrutural e visual, não apenas uma decisão de modulação.

Geometria complexa da envoltória. Uma fachada altamente articulada mostra por que a otimização deve conectar intenção geométrica, racionalização de painéis, estrutura e fabricação.

A equipe comparou alternativas paramétricas e aproximou a geometria esférica por superfícies toroidais. A mudança preservou a leitura geral da cobertura, mas criou famílias mais previsíveis. Num dos estudos do material apresentado, uma opção tinha 630 unidades de vidro insulado, 144 únicas e 50 grupos; outra tinha 660 unidades, as mesmas 144 únicas, mas apenas 12 grupos. A segunda solução não reduz o número total de painéis, mas concentra variações em menos famílias, o que simplifica repetição, documentação e fabricação. A otimização, nesse caso, não significa necessariamente “menos”, e sim uma distribuição mais inteligente da diferença.

Forma racionalizada de cobertura. Um segundo modelo mostra como a mesma superfície pode ser simplificada e controlada preservando o conceito arquitetônico.

Estrutura como ferramenta de edição

O mesmo método se aplica à malha estrutural. Fontana mostrou uma iteração em que uma solução inicial apresentava cerca de 45 cm de deflexão e utilização estrutural superior a três vezes o admissível. A revisão geométrica levou a aproximadamente 6 cm de deflexão, com uma melhora de desempenho que ele situou em torno de 70%. A forma arquitetônica continua reconhecível, mas o caminho das cargas muda. Essa é uma parte essencial da racionalização: a análise não chega apenas para aprovar ou reprovar um desenho. Ela devolve informação ao modelo e ajuda a editar a geometria antes que a complexidade se transforme em aço, vidro e detalhes difíceis de montar.

Em sistemas tensionados, pequenas decisões geométricas também se acumulam. Comprimento dos cabos, quantidade de ancoragens, nós e orientação dos painéis alteram força e sequência de montagem. Fontana apresentou comparações em que o mesmo problema arquitetônico produz agrupamentos muito diferentes conforme a direção escolhida para o vidro. A parametrização permite testar essas alternativas rapidamente e medir a consequência de cada escolha. Quando o projeto avança, o mesmo modelo pode alimentar análise, documentação e fabricação, reduzindo a reconstrução manual de informação entre disciplinas. Essa continuidade é especialmente importante quando a geometria muda sem perder as premissas analíticas já incorporadas ao modelo.

Estudo de panelização. Faixas codificadas por cor tornam a variação mensurável e ajudam a identificar famílias, tolerâncias e oportunidades de repetição.

Uma cadeia digital até a construção

Outro exemplo envolve painéis de geometria dupla executados em material compósito. O processo passou por racionalização geométrica, solução paramétrica, transferência para análise e documentação de fabricação. Rhino, Grasshopper, ferramentas de análise e BIM não são usados como uma coleção de softwares independentes, mas como partes de uma cadeia. A qualidade depende de manter a mesma lógica geométrica ao longo de todas elas. Fontana vê nisso uma mudança de mentalidade: a complexidade deixa de ser uma característica visual e passa a ser uma variável que pode ser quantificada, agrupada e testada. O resultado construído preserva a continuidade que o arquiteto procura porque a engenharia decide cedo onde a forma precisa mudar e onde pode permanecer complexa.

A análise modifica o projeto. A área otimizada é testada diretamente contra a superfície-alvo, demonstrando um processo iterativo em que a análise altera a geometria.