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Published in the language of the original session. The English translation is provided for reference and may not be fully accurate, please verify technical terms against the source.

Stéphane Domeneghini mostra como a Senna Tower traduz a jornada simbólica do herói em um edifício superalto, enquanto fachada unitizada, coroamento, engenharia de vento e coordenação técnica transformam uma narrativa arquitetônica ambiciosa em um sistema executável e manutenível.

Desenvolvimento vertical na escala urbana. Uma segunda vista do horizonte reforça a relação entre altura extrema, torres vizinhas e o contexto costeiro.

Para Stéphane Domeneghini, a Senna Tower não começa pela altura, mas por uma narrativa. O embasamento, a torre e o coroamento correspondem a momentos distintos da chamada trajetória do herói. Na base, formas, cores, texturas e paisagismo brasileiro representam a diversidade do início da vida. A torre marca a descoberta de um propósito e a superação progressiva de limites. No topo, superfícies espelhadas procuram fazer a matéria desaparecer visualmente no céu, transformando o coroamento em uma imagem de permanência e memória. A curva que organiza parte do embasamento foi associada à proporção áurea, usada como referência para a passagem entre essa base mais diversa e a verticalidade mais controlada da torre.

Da narrativa à escala construída

Essa leitura simbólica precisa coexistir com um edifício de mais de 550 m em Balneário Camboriú. Domeneghini descreveu um programa com 228 apartamentos, seis pavimentos de lazer privado e dois pavimentos de acesso público, além de elevadores de alta performance e áreas que aproximam o empreendimento da cidade. Uma passarela entre restaurantes, por exemplo, foi concebida como percurso aberto, atravessando uma zona que normalmente seria tratada como espaço exclusivamente residencial. O projeto procura, assim, evitar que altura e luxo signifiquem isolamento. Essa ambição também aparece no paisagismo e nos espaços internos, que começam com maior densidade material e cromática e se tornam progressivamente mais leves à medida que o edifício sobe.

Contexto vertical costeiro. A torre é apresentada no horizonte denso de Balneário Camboriú, onde altura, vento e presença urbana passam a fazer parte do problema da envoltória.

A escala exige que a arquitetura seja continuamente testada contra a engenharia. Domeneghini explicou que os primeiros estudos de viabilidade começaram há mais de sete anos e que o desenvolvimento acumulou referências de edifícios altos em diferentes países. Na fundação, a equipe encontrou gnaisse de elevada resistência, na casa de 90 MPa, com estacas chegando a aproximadamente 40 m de profundidade. O sistema estrutural incorpora outriggers e outros elementos próprios de uma torre esbelta. Ensaios em túnel de vento e estudos de aceleração orientaram decisões que não podem ser extrapoladas de edifícios menores. Como ela resumiu, um edifício de 50 pavimentos não equivale simplesmente a dois edifícios de 25 empilhados.

Contexto costeiro. A narrativa do projeto conecta a torre à paisagem marítima e às vistas de longa distância que moldam a experiência residencial.

Conforto no topo e desempenho na pele

Um dos dispositivos mais específicos é o tuned mass damper instalado no topo. Domeneghini o descreveu como o primeiro desse tipo na América Latina e explicou sua função de maneira direta: o grande pêndulo reduz as acelerações percebidas pelos ocupantes, mas não é responsável pela estabilidade principal da torre. Se estiver indisponível, o problema esperado é maior movimento e menor conforto, não a perda automática da segurança estrutural. A presença do damper, dos pavimentos técnicos e do sistema de BMU também condiciona o coroamento. A imagem de desmaterialização precisa, portanto, acomodar equipamentos, manutenção e acesso sem perder a intenção arquitetônica que dá significado ao topo.

Na envoltória, a torre adota fachada unitizada com vidros plissados, enquanto o coroamento combina placas anguladas de ACM espelhado. O desafio não está apenas em desenhar essas superfícies, mas em fazê-las trabalhar com vento, tolerâncias, drenagem, manutenção e substituição de componentes a grande altura. Domeneghini destacou que sistemas de esquadrias podem representar o segundo ou terceiro maior custo em edifícios altos e também uma fonte recorrente de patologias ligadas ao conforto. Por isso, soluções especiais, guarda-corpos, elementos iluminados e detalhes do topo passam por protótipos, análises e compatibilização antes de serem tratados como produtos repetíveis.

Estudo da forma da torre. Um modelo tridimensional simplificado isola a forma vertical esbelta usada para coordenar intenção arquitetônica e restrições de engenharia.

Expertise global, responsabilidade local

A estratégia técnica combina especialistas internacionais com equipes brasileiras capazes de adaptar soluções à realidade de execução. Domeneghini rejeita a ideia de importar uma solução pronta e simplesmente aplicá-la no país. A equipe interna da Talls Solutions coordena análises críticas, interfaces com estrutura e outras disciplinas, documentos de cotação, ensaios, qualidade e apoio à obra. Esse processo cria uma memória técnica que pode retroalimentar projetos seguintes, especialmente num mercado brasileiro em rápida verticalização. Para a Senna Tower, a mensagem é coerente com o próprio conceito arquitetônico: superar limites não depende de um gesto único, mas de transformar intenção, conhecimento acumulado, testes e responsabilidade de execução em um sistema que continue funcionando muito depois de a forma se tornar um símbolo.

Experiência no perímetro. Terraços profundos mostram como a envoltória também enquadra vistas, protege áreas ocupadas e apoia os espaços de amenidades da torre.