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Published in the language of the original session. The English translation is provided for reference and may not be fully accurate, please verify technical terms against the source.

José Luiz Lemos mostra como o reaproveitamento adaptativo transforma a estrutura existente em dado de projeto, usando Parque da Juventude, Avenues São Paulo e Beyond The Club para explicar como peso, luz, instalações e clima podem gerar uma nova lógica de fachada.

Transformação em obra. A intervenção na fachada mostra a estrutura preservada recebendo novas camadas exigidas pelo novo uso e pelas metas ambientais.

José Luiz Lemos trata reaproveitamento como uma negociação entre aquilo que a estrutura existente permite e aquilo que o novo programa exige. Em três projetos desenvolvidos em momentos diferentes, a fachada deixa de ser apenas a imagem da transformação e passa a resolver limitações de carga, pé-direito, circulação, iluminação e conforto. O princípio é preservar o que ainda tem valor, mas sem obrigar o novo uso a repetir a lógica do edifício anterior. Essa postura produz soluções muito distintas, de elementos pré-fabricados sobre uma estrutura mantida a uma segunda pele leve, até planos de brises que se afastam da linha de estanqueidade. O que conecta os casos é a necessidade de ler o edifício existente como dado de projeto, não como obstáculo a ser apagado.

Parque da Juventude: uma nova pele para uma estrutura existente

No Parque da Juventude, a transformação do antigo complexo do Carandiru manteve parte importante do esqueleto estrutural e substituiu a antiga relação entre células, fachadas e pátios por uma arquitetura pública ligada ao parque e à educação. Novos elementos pré-fabricados passaram a definir a envoltória, enquanto a baixa altura disponível e a ausência de shafts em determinadas áreas obrigaram a incorporar serviços em faixas horizontais da fachada. O projeto mostra uma característica recorrente do retrofit: sistemas que num edifício novo seriam escondidos ou organizados verticalmente precisam encontrar outro caminho quando a estrutura não pode ser redesenhada do zero. A expressão da fachada passa a absorver parte dessa infraestrutura.

Edifício existente como recurso. O edifício original estabelece as restrições estruturais e espaciais com as quais o reaproveitamento adaptativo precisa trabalhar, em vez de apagá-las.

A situação do Avenues São Paulo era diferente. Um edifício corporativo dos anos 1990 precisava se tornar uma escola, com programa, circulação e qualidade ambiental muito mais diversos. O projeto preservou a estrutura principal, criou grandes aberturas internas para conectar áreas e acrescentou novos volumes onde faltava programa. A capacidade de carga limitava o peso da nova fachada, tornando necessário um sistema leve. O estudo de fachada também precisava responder ao ambiente de aprendizagem. Brises horizontais controlam a orientação norte, light shelves conduzem luz difusa mais profundamente às salas e painéis opacos leves cobrem partes da estrutura existente. A envoltória funciona como mediadora entre a repetição da estrutura antiga e as exigências do novo uso.

Reuso urbano em escala. O conjunto mais amplo demonstra como o reaproveitamento adaptativo pode reorganizar circulação, espaço público e desempenho da envoltória sem descartar toda a estrutura.

Luz e peso como critérios de projeto

A solução do Avenues foi refinada por protótipos e mudanças de material. Uma proposta inicial em pré-moldado foi reconsiderada por causa do peso, dando lugar a painéis de espuma de alta densidade com acabamento projetado, segundo Lemos. O edifício reúne condições de fachada muito diferentes, como teatro, ginásio, salas de aula e circulações, exigindo graus distintos de opacidade, ventilação e controle solar. Em vez de forçar uma linguagem construtiva única, o projeto usa uma família de respostas coordenadas pela mesma lógica horizontal. A fachada nova não esconde a estrutura antiga. Ela a usa como matriz para definir aberturas, proteção solar e ritmo, transformando uma limitação estrutural em disciplina para o desenho.

Separar a linha de clima da expressão arquitetônica

No Beyond The Club, a transformação do antigo Hotel Transamérica amplia a escala da intervenção. As torres e o teatro existentes são preservados, mas o programa do clube exige espaços com dimensões que o hotel nunca teve. Em áreas originalmente organizadas em pavimentos de aproximadamente 3 m, algumas lajes foram removidas para criar espaços de 6 m de altura. O conjunto, com cerca de 80.000 m² de área construída segundo Lemos, procura substituir a rigidez do hotel dos anos 1980 por uma arquitetura mais horizontal, aberta e fluida. A fachada participa dessa mudança sem depender de uma única pele contínua.

Nova profundidade de fachada. Sombreamento, estrutura e perímetro ocupado criam uma nova camada ambiental enquanto o edifício preservado continua legível ao fundo.

A linha de estanqueidade do edifício recua em relação à camada externa de brises e circulação. Essa distância cria sombra, percurso e profundidade visual, além de permitir que a envoltória responda de maneira diferente às orientações. Estudos solares, de vento e microclima orientaram o desenho. Os brises têm perfil próximo ao de uma asa e foram testados em protótipos, inclusive com variações de ângulo. Lemos reduz a paleta de materiais para que a complexidade esteja na organização do sistema, não na quantidade de acabamentos. Nos três projetos, preservar a estrutura não significa congelar o edifício. Significa usar o que existe como base para uma nova lógica de fachada capaz de suportar um programa, uma experiência e um desempenho que antes não estavam presentes.

Envoltória institucional renovada. A proposta concluída usa repetição, sombreamento e paisagismo para dar à estrutura existente uma nova lógica arquitetônica e climática.