Debrief.
Conference series Zak World of Façades Editions, speakers and registration
Follow

Published in the language of the original session. The English translation is provided for reference and may not be fully accurate, please verify technical terms against the source.

Crescêncio Petrucci defende que o retrofit de fachadas comece pelo diagnóstico, não pela substituição, usando Plaza Centenário, Birman 8, Hospital Israelita Albert Einstein e MASP para mostrar como intervenções seletivas recuperam desempenho, prolongam vida útil e reduzem desperdício de materiais.

Retrofit em execução. A nova fachada é instalada junto à estrutura existente, revelando os desafios de interface e sequência próprios de projetos de renovação.

Crescêncio Petrucci trata retrofit como um problema de diagnóstico antes de ser um problema de substituição. Uma fachada envelhecida pode ter perdido estanqueidade, desempenho térmico, aparência ou segurança, mas isso não significa que todos os seus componentes tenham chegado ao fim da vida útil. A primeira etapa é identificar sistemas e materiais, registrar conservação e desgaste, avaliar riscos imediatos e localizar a causa real das falhas. Em alguns casos, isso exige desmontar parcialmente a esquadria. Só depois desse levantamento faz sentido decidir o que preservar, reforçar, substituir ou descartar. Para Petrucci, a solução mais eficiente tende a ser também a que intervém menos, usa menos material novo e reduz impacto financeiro, ambiental e operacional.

Plaza Centenário: preservar antes de desmontar

O Plaza Centenário, de Carlos Bratke, foi construído em 1995 e entrou em processo de restauração em 2025, trinta anos depois. O revestimento de ACM soma 40.000 m² segundo a documentação apresentada. O desafio era verificar uma fachada concebida para um entorno muito diferente daquele que existe hoje. Novas construções alteram o comportamento do vento e, num edifício de geometria marcante, isso muda as solicitações sobre painéis, subestrutura e ancoragens. Petrucci descreveu o uso de CFD e análises estruturais para avaliar condições que não poderiam ser inferidas apenas por inspeção visual. A estratégia procurou desmontar o mínimo necessário e manter em serviço a maior quantidade possível de material existente.

Condição da fachada existente. O tecido construtivo existente é lido primeiro como evidência, permitindo que o retrofit responda à idade, construção e deterioração sem assumir substituição integral.

A investigação revelou que uma intervenção total não seria necessária. Petrucci afirmou que aproximadamente 80% do material não precisava ser removido. A solução passou a variar por setores, de acordo com condição, exposição e capacidade das ancoragens. Essa seletividade é importante porque ACM antigo combina camadas cuja reciclagem pode ser difícil e cara. Preservar um componente ainda apto evita não apenas o custo de uma peça nova, mas também retirada, transporte, descarte e interrupção. No retrofit, portanto, sustentabilidade não depende de trocar a fachada por uma solução nova com melhor etiqueta ambiental. Pode começar pela decisão de não descartar aquilo que continua tecnicamente válido.

Diagnóstico de interface. O detalhe de peitoril e caixilho mostra por que caminhos de água, selantes, fixações e tolerâncias precisam ser compreendidos antes da definição do reparo.

Atualizar desempenho sem parar o edifício

No Birman 8, construído em 1990 e revitalizado em 2021, a questão era atualizar uma fachada stick existente e melhorar a envoltória sem ignorar a estrutura que já estava instalada. A nova estratégia acrescentou uma pele unitizada externa, melhorou vedação e desempenho dos vidros e permitiu ampliar a área útil de carpete. O exemplo mostra como uma intervenção pode mudar simultaneamente desempenho e uso. Em vez de apenas reparar juntas, o projeto reinterpreta a seção da fachada para criar uma envoltória mais eficiente e uma planta mais valiosa, aproveitando partes da construção original onde isso permanece tecnicamente justificável.

O Hospital Israelita Albert Einstein apresenta outro tipo de restrição. O edifício é de 1971 e a revitalização começou em 2020, mas a operação hospitalar não poderia parar. A equipe desenvolveu treliças metálicas ancoradas principalmente nos pilares de concreto, reduzindo perfurações e interferências. Módulos unitizados foram instalados pelo exterior antes da retirada dos caixilhos internos antigos. Essa sequência permitiu manter o fechamento do edifício e organizar a troca por etapas. O retrofit deixa de ser apenas um desenho de fachada e passa a ser também um plano de construção, com decisões condicionadas por acesso, segurança, ruído, poeira e continuidade de uso.

Envoltória renovada. A fachada envidraçada concluída mostra como intervenções direcionadas podem melhorar desempenho preservando partes substanciais do edifício existente.

Patrimônio, manutenção e vida útil

Petrucci também citou a adequação do MASP, construído em 1968, onde novas exigências precisaram respeitar um edifício de valor patrimonial. A intervenção incluiu soluções discretas para aberturas e novas ancoragens sem transformar a leitura da arquitetura existente. Em todos esses casos, o princípio é o mesmo: revitalizar não significa apagar a história construtiva do edifício. Significa recuperar desempenho, conforto e segurança com uma leitura precisa do que já existe. A documentação técnica atualizada, a compatibilidade com normas e o destino dos materiais retirados passam a fazer parte da engenharia. Um bom retrofit não é medido pela quantidade de elementos novos, mas pela capacidade de estender a vida útil com a menor intervenção necessária e com conhecimento suficiente para justificar cada decisão.

Detalhe de envelhecimento. Condições de vedação e desgaste fornecem evidências para distinguir componentes reparáveis daqueles que realmente precisam ser substituídos.