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Emir Debastiani quantifica como selantes de silicone e colagem estrutural influenciam o carbono incorporado, mostrando como matéria-prima de menor carbono, redução de alumínio, desempenho térmico e cálculos de sistema transformam um componente pequeno em parte mensurável da estratégia da envoltória.
Emir Debastiani parte de uma conta que costuma diluir a importância de componentes pequenos. A construção foi associada a 39% das emissões globais de CO2 no material apresentado, sendo 28% ligadas à operação e 11% ao carbono incorporado. Selantes representam uma fração pequena da massa de uma fachada, mas aparecem em colagem estrutural de vidros, selagem secundária de unidades de vidro insulado e juntas contra intempéries. Debastiani propõe olhar para essas aplicações por metro quadrado de envoltória, porque o impacto não depende apenas do peso do produto, mas da quantidade usada, da rota de produção e da forma como o sistema completo de fachada é concebido.
O carbono começa na matéria-prima
A maior parcela do impacto de um silicone está associada ao silício metálico. Debastiani afirmou que essa matéria-prima representa mais de 60% da pegada de carbono do silicone. A rota apresentada para produção no Brasil combina eletricidade com mais de 80% de origem hidrelétrica e renovável e biomassa de eucalipto, com replantio em ciclo de sete anos. A intenção é reduzir as emissões antes da fabricação do selante, em vez de compensar apenas o produto acabado. O material apresentado situa a pegada típica de um selante entre 8 e 12 kg CO2e por kg de silicone, o que torna a origem do silício relevante mesmo quando o volume aplicado em cada junta parece pequeno.
A quantificação por aplicação torna o efeito mais concreto. Para colagem estrutural, Debastiani apresentou consumo de 0,28 L/m² e impacto de 3,7 kg CO2/m². Para vedação contra intempéries, 0,41 L/m² e 6,1 kg CO2/m². Para a selagem secundária de vidro insulado, considerando 30% de TGU na fachada, o valor apresentado foi 0,57 L/m² e 7,6 kg CO2/m². A estimativa também considera desperdício de silicone entre 10% e 15%. Somadas, as aplicações podem chegar a 20 kg CO2e por metro quadrado de fachada. O objetivo do silicone carbono neutro é retirar essa parcela da conta sem alterar a função de aderência ou vedação.
O sistema pode economizar mais do que o selante
Debastiani amplia a discussão ao comparar sistemas de colagem estrutural com sistemas capturados mecanicamente. O silicone estrutural permite reduzir tampas e perfis externos de alumínio, e o material apresentado indica redução de alumínio de até 15%, dependendo do sistema. Como a produção de alumínio foi situada entre 15 e 17 kg CO2 por kg produzido, uma decisão de detalhe pode ter efeito além do próprio selante. A escolha também interfere no fator U do conjunto. Nas comparações apresentadas, a colagem estrutural pode melhorar o Ucw em aproximadamente 10% a 25%, dependendo da configuração. Isso significa que carbono incorporado e consumo operacional podem ser influenciados pela mesma decisão de fachada.
A escala do edifício transforma números unitários em quantidades relevantes. Para uma fachada de 30.000 m², Debastiani apresentou potencial de redução de até 600 toneladas de CO2e associado ao uso dos silicones carbono neutro considerados. O valor não deve ser lido como uma constante aplicável a qualquer projeto. Consumo de selante, percentagem de vidro insulado, dimensões de juntas e sistema de fixação mudam de edifício para edifício. O ponto é estabelecer uma metodologia de quantificação que permita ao projetista enxergar componentes normalmente escondidos dentro da conta total e comparar alternativas com base em dados específicos do sistema.
Carbono e desempenho precisam andar juntos
A redução de carbono só é útil se a fachada continuar cumprindo suas funções de segurança, estanqueidade e durabilidade. Debastiani não propõe substituir desempenho por uma métrica ambiental, mas integrar as duas avaliações. Colagem estrutural, vidro insulado e juntas externas continuam dependendo de dimensionamento, aderência, compatibilidade de substratos e controle de aplicação. A mudança está em acrescentar a origem da matéria-prima e o carbono do sistema às decisões já feitas pela engenharia. Uma fachada de menor impacto não nasce de um único produto “verde”. Ela resulta de combinar materiais de menor carbono com uma configuração que também reduza alumínio, melhore o desempenho térmico e mantenha a vida útil necessária para evitar substituições prematuras.